Beleza negra: o que você precisa saber sobre empoderamento estético

Precisamos conversar sobre o empoderamento estético da mulher negra. Fazer a transição capilar, reconhecer nos turbantes coroas, usar estampas vibrantes e se recusar a fazer misturas para chegar ao tom correto da base, são ações cada vez mais frequentes. Entretanto, ainda é pouco o que se fala sobre a importância dessas atitudes de empoderamento.

A construção e a aceitação da identidade e da beleza negra são pautas relevantes e hoje vamos falar sobre isso. Se você está passando ou quer começar por alguma fase de transição estética para assumir seus traços naturais, o texto de hoje é para você!

A valorização da estética negra

O que é belo? Nós, negras, sabemos que essa é uma pergunta capciosa. Afinal, por muito tempo o corpo feminino negro foi extremamente sexualizado, o cabelo crespo qualificado como “ruim” e os traços grossos como exóticos. Ou seja, nenhuma de nossas características eram consideradas belas.

O empoderamento por meio da estética consiste em reeducar o olhar, os próprios e os dos outros, para enxergar nossos traços negros como belos: o nariz largo, o rosto angular, a boca grande, o cabelo crespo e volumoso.  E, ao contrário do que muitos pensam, reconhecer-se bela pode ser um processo longo, solitário e doloroso para a mulher negra.

A solidão da mulher em sua transição estética

Esse assunto pode causar certo estranhamento, principalmente para mulheres não negras, mas é importante reconhecer e entender que essa é uma realidade.

Enquanto mulheres não negras cresceram aprendendo a lidar e a cuidar de seus cabelos naturais, encontrando com facilidade base para seus tons de pele e adereços para seus corpos, nós, mulheres negras, não experimentamos nada disso. Muitas de nós, depois de adultas, precisamos nos (re)encontrar.

Para o mercado cosmético, por exemplo, até bem pouco tempo, mulheres não negras eram o único público existente, o restante deveria se adaptar – o alisamento químico é um exemplo dessa “adaptação”. 

Passados alguns (muitos) anos, isso tem começado a mudar, mas assumir a real identidade ainda envolve um processo que por vezes solitário e cheio de incertezas. Falta representatividade negra na mídia, em editoriais de moda e até mesmo no conteúdo que é ensinado na escola. Assim, além de redescobrir-se, é preciso descobrir como reconstruir uma imagem que por séculos foi deteriorada, com ainda poucos modelos para nos espelhar, por conta de toda falta de representatividade na mídia.

O caminho para o reconhecimento da beleza negra

Diante de tudo o que foi dito, você deve estar se perguntando: mas então, o que eu faço? Sabemos que estamos inseridos em uma sociedade racista (e machista), ou seja, uma sociedade baseada na exclusão. A autoaceitação é um ato de resistência a essa exclusão e por isso mesmo deve ser nossa busca diária. Para tanto, é essencial:

  • autoafirmar-se como bela, tenha coragem de se olhar e se admirar! Acredite, mentiram para você sobre sua aparência. VOCE É LINDA!

  • reconhecer que o belo não é padrão socialmente estabelecido, mas você. Exatamente como você é, natural e extremamente feliz. Não a nada de errado com você. O errado são padrões que nos machucam fisica e psicologicamente.

  • entender que o corpo negro é um corpo político, cada escolha estética diz muito sobre sua vontade de existir e resistir, lindamente inclusive;

  • defender que a estética negra não é modismo, mas identidade. Inclusive para a sua familia e amigos que insistam em te ofender por causa disso, infelizmente acontece com praticamente todas nós nesse processo. E é importante uma conversa séria, com amor e deixando bem claro o quando isso te magoa e te faz triste. Se existir amor nessas relações, elas também aprenderão com esse processo que você está vivendo. Mais uma vez, acalme-se, TUDO VAI PASSAR!
     

  • Procure companhias e amigos que entendam o seu processo de autoreconhecimento e não a critiquem por assumir suas caracteristicas estéticas naturais. Você vai precisar de apoio, e isso não te faz fraca, muito pelo contrário, prepare-se pra conhecer a sua força de vencer o mundo! Estar com pessoas que já passaram por esse momento ou estão passando tornará tudo mais facil, acredite.
     

  • Ao cuidar da sua estética procure profissionais que entendam que o processo de aceitar o seu cabelo ou qualquer outra parte do seu corpo, vai muito além de “mudar o look” .Todo apoio é bem vindo e saber que quem vai te ajudar na reparação da sua autoestima com qualquer procedimento estético no seu corpo entende o seu momento é fundamental.

  • Acredite, você não está louca. Provavelmente você vai começar a reparar e sentir muito mais os preconceitos que estão por vezes naturalizados na nossa sociedade. Mas acalme-se, faz parte do processo e logo logo você vai entender tudo com muito mais clareza e confiança para lidar com todas as pressões externas. Porque chega um momento de nosso fortalecimento que não conseguem mais nos ferir com qualquer comentário. E seus amigos, aqueles que mencionamos nos itens acima, vão te ajudar MUITO nesse processo.

Falar em política em uma conversa sobre estética pode parecer algo desnecessário, mas não é. A estética é a  primeira coisa que se mostra e que se vê, ela ocupa os espaços primeiro, não precisa de permissão, abertura ou cessão da palavra. O brinco étnico, o cabelo trançado, o cabelo natural, a roupa colorida compõem a exteriorização da resistência.

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Todo Black é Power

Comments (2)

  1. De quem é a autoria dos textos? São todos muito didáticos, parabéns!

    1. Agradecemos, Aline! Todos nós aqui da equipe TBP temos nos dedicado muito em passar nosso conhecimento a vocês. que bom que está funcionando <3

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